
O resultado da mesa técnica do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), que apontou o caminho para o reequilíbrio dos valores pagos pelo Governo do Estado ao Hospital de Câncer (HCan), foi destacado durante a inauguração da nova ala de quimioterapia adulta da entidade, nesta segunda-feira (15).
Concluídas na última semana, as negociações resultaram na assinatura de termo de compromisso que prevê a reestruturação do contrato nº 253/2024, bem como em um aditivo, garantindo a continuidade do atendimento oncológico gratuito.
“O papel do Tribunal não é apenas apontar problemas, mas ajudar a construir soluções. Foi isso que fizemos aqui. A mesa técnica permitiu que um problema histórico tivesse uma solução concreta, garantindo o funcionamento de um dos hospitais mais importantes do estado”, declarou Sérgio Ricardo.
Na inauguração, o diretor-presidente do HCan, Laudemir Nogueira, explicou que o hospital havia recorrido ao Tribunal diante da dificuldade na relação com o Estado e dos valores que tinha a receber. Segundo ele, a mediação foi decisiva para reabrir o diálogo e estabelecer critérios e prazos para a revisão do contrato.
“Nós conseguimos que alguém ouvisse as demandas do hospital e chegar nas autoridades que precisávamos chegar. A mesa técnica foi muito importante e balizou critérios para essa composição nova. Ainda não dá para sentir resultados palpáveis, porque as coisas aconteceram na semana passada, mas acreditamos que, com a intermediação do Tribunal de Contas, tudo tende a tomar um rumo melhor”, disse.
O presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas) e relator do processo, o conselheiro Guilherme Antonio Maluf, reforçou que a atualização é essencial para acompanhar a evolução tecnológica e garantir o equilíbrio financeiro das instituições. “Era um problema extremamente complexo e todo mundo cedeu um pouco. Conseguimos construir esse novo momento em que teremos um aditivo contratual e quem ganha com isso é a população que vai ter o atendimento oncológico garantido. Todos os contratos têm uma capacidade, mas precisam ser evolutivos”, afirmou.
Atuação do Tribunal
De acordo com o supervisor da área de Saúde e Meio Ambiente no Núcleo de Políticas Públicas (NPP) do TCE-MT, o auditor Denisvaldo Mendes Ramos, o Tribunal atuou em duas frentes ao longo do processo: na mesa técnica, reunindo os atores envolvidos para discutir os ajustes contratuais, e na auditoria, responsável por analisar a relação contratual entre o Estado e a unidade.
“A construção do contrato antigo foi feita de uma forma prejudicial, porque comparou o hospital, que é uma unidade oncológica, com hospitais de outras complexidades. E aqui é muito específico, é oncologia. A relação contratual, agora, depois da mesa técnica, aproximou os atores e melhorou muito a convivência entre eles”, pontuou o auditor, acrescentando que o acordo definiu seis diretrizes para orientar o novo contrato, que deve ficar pronto em até 60 dias.
Capacidade triplicada
A nova ala de quimioterapia adulta amplia de forma significativa a estrutura do hospital: o espaço passa de cinco para até 13 leitos e de 23 para 35 poltronas de infusão, com capacidade para triplicar o volume de atendimentos. O bloco oferece um ambiente mais confortável a pacientes que, muitas vezes, percorrem centenas de quilômetros até a capital e permanecem horas em tratamento.
Segundo Laudemir Nogueira, a obra foi viabilizada por uma parceria com um grupo de médicos oncologistas, responsável pelo custeio da estrutura física, enquanto a maior parte dos equipamentos foi adquirida com emendas parlamentares federais. A gestão permanece a cargo do hospital, que atende majoritariamente pelo SUS.
“A estrutura física é linda, adequada, tecnicamente correta, e o corpo clínico está altamente qualificado e pronto para trabalhar. Só que agora eles vão trabalhar num ambiente muito melhor, mais humanizado”, concluiu o diretor-presidente.
A Verdade MT não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.
Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático agradecemos a participação!