CULTURA

Acesso à cultura em Mato Grosso apresenta desafios e oportunidades de expansão, revela pesquisa do Sebrae/MT

Por Assessoria de Imprensa do Sebrae/MT
Publicado em 05-01-2026 às 10:16hrs
Pesquisa aponta limitações relacionadas a tempo, custo e oferta cultural, ao mesmo tempo em que destaca interesse da população e potencial de fortalecimento da economia criativa

Falta de tempo, custo elevado e escassez de opções culturais em determinadas regiões são as principais barreiras do acesso à cultura em Mato Grosso. Apesar de a população demonstrar interesse e manter relação constante com manifestações culturais, o acesso ainda ocorre de forma desigual entre os municípios do estado e evidencia um cenário em que a cultura está presente, mas não chega da mesma forma para todos os públicos. Os dados fazem parte de um levantamento produzido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT).

A pesquisa revela que 36,3% dos entrevistados apontam a falta de tempo em função da rotina atribulada como principal dificuldade de acesso. Outros 26,9% citam os gastos elevados e 21,1% a pouca oferta cultural na própria região. Em áreas como o Sudoeste, a ausência de atividades culturais chega a quase metade da população, enquanto na Região Metropolitana o peso do custo e da rotina diária limita a participação, mesmo onde há maior concentração de eventos. A análise do estudo aponta a existência de “dois cenários culturais” no estado: um marcado pela disputa entre orçamento e tempo, e outro pela ausência quase total de programação cultural.

Quando se observam os canais de acesso, mais da metade dos mato-grossenses (54,1%) consome cultura de forma híbrida, combinando experiências presenciais e digitais. Ainda assim, 23,8% acessam exclusivamente online, como reflexo das dificuldades de deslocamento e da concentração de equipamentos culturais em poucas cidades. Apenas 14,4% conseguem consumir cultura somente de forma presencial.

A desigualdade também se reflete nos espaços utilizados para o consumo cultural. Entre os que frequentam atividades presenciais, 45,5% utilizam espaços públicos, como praças e centros culturais, enquanto 27,2% recorrem a espaços privados, como cinemas e teatros. Essa distribuição varia conforme a região: no Nordeste, escolas e universidades concentram o acesso cultural, enquanto na Região Metropolitana predominam os espaços privados, evidenciando diferenças estruturais na oferta cultural.

Perfil, motivações e investimento cultural

O perfil do consumidor cultural em Mato Grosso é equilibrado entre homens e mulheres, com maior concentração nas faixas etárias entre 25 e 44 anos. Regionalmente, o Nordeste se destaca como a área mais ativa em frequência de consumo, com índices elevados de participação semanal e diária. Em contraste, Norte e Sudoeste apresentam consumo mais esporádico, concentrado em atividades mensais ou raras. Sob oo ponto de vista socioeconômico, as classes D e E representam a maior parte dos entrevistados, fator que influencia diretamente o padrão de acesso.

As motivações para o consumo cultural são lideradas pelo lazer e entretenimento, citados por 33,1% da população, seguidos pela valorização da cultura local (27,2%) e pela busca por conhecimento e aprendizado (23,4%). Entre os mais jovens, o lazer é o principal impulsionador, enquanto entre pessoas acima dos 45 anos cresce a valorização da identidade cultural e da produção regional, indicando uma relação mais simbólica e afetiva com a cultura.

O investimento financeiro em atividades culturais também é desigual. A maior parcela dos entrevistados (39,2%) afirma gastar entre R$ 51 e R$ 100 por mês com cultura, enquanto 27,3% investem de R$ 101 a R$ 200. Em contrapartida, uma fatia significativa da população, especialmente nas classes D e E, limita os gastos a valores baixos ou não investe nada, reforçando o impacto das restrições orçamentárias no acesso cultural.

Mesmo com essas limitações, a percepção sobre a importância da cultura é amplamente positiva. Para 62,4% dos entrevistados, a cultura é considerada muito importante para o desenvolvimento do estado. Ainda assim, quase um terço avalia o acesso como apenas regular, demonstrando que o reconhecimento do valor cultural não é acompanhado, necessariamente, por condições adequadas de fruição.

Oportunidades e fortalecimento da economia criativa

O desconhecimento em relação ao próprio setor cultural em Mato Grosso abre oportunidades de crescimento para empreendedores do segmento. Isso porque, de acordo com o estudo, quase metade da população afirma não conhecer artistas ou iniciativas do mercado cultural local. Nesse contexto, o Sebrae Mato Grosso tem atuado de forma estratégica no fortalecimento da economia criativa, com ações voltadas ao acesso a mercado, capacitação, padronização de produtos e incentivo à formalização.

Iniciativas recentes permitiram que artesãos e empreendedores criativos ampliassem sua atuação para outros estados, gerando aumento de receita e maior inserção no mercado. “O trabalho do Sebrae Mato Grosso é justamente reduzir desigualdades, gerar dignidade e mostrar que a cultura também é um caminho concreto de geração de renda. Quando ajudamos esses empreendedores a acessar mercados, estruturar seus produtos e se formalizar, estamos transformando criatividade em negócio e impacto social”, afirma a analista técnica Denize Barros.

Como parte desse esforço, a entidade promoveu neste ano a exposição “Lírica, Crítica e Solar: artes visuais em Mato Grosso”, no Museu Nacional da República, em Brasília, reunindo obras de artistas locais, tanto em atividade quanto já falecidos. O Sebrae/MT também mantém parcerias no setor audiovisual e ações de incentivo a músicos premiados no Prêmio Sebrae Música da Amazônia, ampliando a visibilidade da produção cultural mato-grossense no cenário nacional.

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