
A necessidade de mudanças estruturais para garantir um crescimento econômico mais sustentável e ampliar as perspectivas para as próximas gerações esteve entre os principais temas debatidos durante o Painel Econômico “O futuro da economia brasileira”, promovido pela Aliança do Setor Produtivo de Mato Grosso, formada pelas Federações do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT), da Agricultura e Pecuária (Famato), e das Indústrias (Fiemt). O encontro, realizado nesta quinta-feira (17), no auditório da Fecomércio-MT, em Cuiabá, reuniu empresários e representantes do setor produtivo.
O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, destacou a importância da atuação conjunta das três federações na promoção de debates que contribuam para ampliar o entendimento sobre os desafios econômicos enfrentados pelo país e seus reflexos sobre os setores produtivos mato-grossenses.
“As três federações têm assumido a responsabilidade de promover discussões e levar esclarecimentos sobre temas que impactam diretamente a atividade econômica. Em um momento desafiador para o Brasil, é fundamental criar espaços de diálogo e reflexão para que empresários e produtores possam compreender melhor o cenário atual e se preparar para os desafios que estão por vir”, reforçou Tião.
Desafios estruturais
Na abertura da palestra, a especialista em finanças e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, afirmou que o país enfrenta desafios estruturais que exigem mudanças para garantir crescimento sustentável e melhores perspectivas para as futuras gerações.
“O Brasil precisa discutir com seriedade a sustentabilidade de seu modelo econômico. É fundamental avançar em medidas que estimulem a produtividade, a geração de riqueza e a prosperidade, criando condições para um crescimento mais consistente e duradouro para as próximas gerações”.
Ao avaliar o cenário econômico brasileiro, Daniella afirmou que a situação atual é mais preocupante do que a enfrentada durante a pandemia da Covid-19. Segundo ela, o aumento dos gastos públicos e da carga tributária tem comprometido a confiança de investidores, empresas e consumidores, além de provocar reflexos em setores estratégicos da economia.
“Estamos enfrentando um problema que afeta a credibilidade do Brasil, das empresas e das famílias. Na tentativa de equilibrar as contas públicas, mais de 30 tributos foram criados ou elevados nos últimos anos, aumentando o peso sobre quem produz, investe e gera empregos no país”, afirmou.
Reflexos em Mato Grosso
Ao citar os impactos desse cenário sobre a economia regional, a palestrante destacou que até mesmo o agronegócio mato-grossense, tradicionalmente um dos motores do desenvolvimento do estado, tem enfrentado dificuldades.
“Mato Grosso sempre se destacou pela força do agronegócio e pela capacidade de produzir riqueza. Ainda temos orgulho desse setor, mas hoje observamos um número crescente de empresas buscando recuperação judicial e extrajudicial para ganhar fôlego e reorganizar suas atividades diante das dificuldades econômicas”, alertou Daniella.
Qualificação e produtividade
Ao final da apresentação, os participantes tiveram a oportunidade de esclarecer dúvidas e compartilhar percepções sobre os desafios econômicos do país. Durante a sessão de perguntas e respostas, Daniella Marques defendeu a qualificação profissional, o uso da tecnologia e o fortalecimento de instituições como o Sistema S como caminhos para ampliar a produtividade e promover a ascensão econômica da população.
“Precisamos encorajar as pessoas a progredirem na vida e conquistarem autonomia por meio do conhecimento e da qualificação. Quando existe acesso à internet, infraestrutura adequada e apoio de instituições como o Sistema S, é possível criar oportunidades, gerar dignidade e ampliar a prosperidade das pessoas por meio do trabalho e da produtividade”.
Em outro momento, um dos participantes questionou a palestrante sobre os rumos do país e os desafios enfrentados atualmente pelos empresários. Em resposta, Daniella destacou a importância de uma equipe técnica com uma liderança capaz de conduzir os avanços necessários para o país.
“É necessário ter um time técnico, liderado por um líder corajoso. Isso, certamente, vai trazer governabilidade para fazer os avanços que o Brasil precisa. Com isso, a gente sai do ciclo vicioso e entra num ciclo virtuoso, que parte da própria confiança dos agentes econômicos, da curva de juros, da confiança da indústria e da confiança do comércio. Por isso, precisamos trabalhar para apontar o Brasil para o futuro, porque o Brasil é rico demais para dar errado”, concluiu.
Representando o Sistema Fiemt, o evento contou com a participação do presidente interino, Edgar Teodoro Borges. Pela Famato, esteve presente o diretor Administrativo e Financeiro, Robson Marques. Odílio Balbinotti coordenou a realização do painel, que contou ainda com a participação de diretores das instituições ligadas ao Sistema S e de dirigentes de entidades de classe.
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