
Neste 21 de janeiro, o Brasil marca o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data que nos convoca à ação concreta na defesa de um dos pilares fundamentais da democracia: a liberdade de crença e o direito ao livre exercício religioso. Esta não é uma comemoração qualquer — é um alerta permanente sobre práticas discriminatórias que ferem a dignidade humana.
A data homenageia a Ialorixá Gildásia dos Santos, Mãe Gilda, que faleceu em 21 de janeiro de 2000 após sofrer ataques por sua fé no candomblé. A Constituição de 1988 assegura a liberdade religiosa, mas a realidade mostra que o preconceito continua vitimando milhares de brasileiros.
Em 2025, o país registrou 4.424 violações à liberdade religiosa, aumento de 14% em relação a 2024. As religiões de matriz africana são as principais vítimas, com a umbanda e o candomblé liderando as denúncias. A maioria das vítimas são mulheres. Estes números representam pessoas humilhadas, templos profanados e comunidades sob ataque — herança de um passado colonial que insiste em se perpetuar.
A intolerância marca presença brutal em nosso Estado. Em agosto de 2025, uma adolescente de 13 anos da Escola Estadual Dunga Rodrigues, em Várzea Grande, quase foi queimada viva por colegas que justificaram: “bruxas têm que ser queimadas”.
A jovem sofreu perseguição por três anos, conforme relatou a mãe. Em 2023, colegas passaram a chamá-la de “bruxa” e “macumbeira”, quebrando um colar com amuleto. Em 2024, foi emboscada por outras estudantes que tentaram atear fogo nela, ação impedida apenas pela intervenção de um vizinho. O caso, denunciado pela mãe da vítima, expôs uma realidade que se repete nas escolas: a violência religiosa travestida de bullying.
Este episódio revela que a intolerância vai além de palavras — é violência física e simbólica que destrói vidas. O preconceito começa dentro de casa, atravessa as escolas e se espalha pelas redes sociais.
A diversidade religiosa brasileira tem profunda relação com nossa colonização. As religiões de matriz africana chegaram com os povos escravizados, resistindo à opressão e preservando saberes ancestrais. O sincretismo, a umbanda e o candomblé são patrimônio imaterial da nação, fruto da resistência contra o apagamento cultural.
Combater a intolerância transcende o jurídico — é questão educacional e humanitária. Precisamos promover o diálogo inter-religioso, ensinando que respeito e amor ao próximo são fundamentos da convivência.
A Assembleia Legislativa reafirma seu compromisso com políticas que garantam proteção à liberdade religiosa e punição aos crimes de intolerância (Lei nº 7.716/1989). Denúncias: Disque 100 ou WhatsApp (61) 99611-0100.
Convoco os mato-grossenses a refletirem e defenderem o direito de cada cidadão professar sua fé livremente. Que possamos construir uma sociedade onde o amor supere o ódio, o respeito vença a ignorância e cada pessoa exerça sua espiritualidade em paz.
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