
Neste 18 de junho, celebramos o Dia do Orgulho Autista, data criada pelo movimento Aspies for Freedom para valorizar a neurodiversidade e combater a ideia equivocada de que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma doença que precisa ser curada.
Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, entendo que esta data nos convida a uma reflexão profunda sobre a forma como tratamos as diferenças em nossa sociedade.
O autismo é uma variação natural do neurodesenvolvimento humano. Pessoas autistas percebem e interagem com o mundo de maneiras únicas, e essa diversidade faz parte da riqueza da experiência humana, não de um desvio que precise ser corrigido.
Enxergar o TEA apenas pela perspectiva das limitações nos impede de reconhecer talentos, habilidades e sensibilidades que enriquecem escolas, ambientes de trabalho, famílias e toda a comunidade.
Tenho dedicado parte importante da minha atuação parlamentar à causa da inclusão. Tive a honra de ver aprovado pela Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 750/2024, de minha autoria, que cria um sistema permanente de monitoramento e avaliação das políticas de inclusão na rede estadual de ensino.
A proposta determina que as escolas encaminhem relatórios semestrais detalhados sobre o acompanhamento pedagógico de alunos com deficiência ou necessidades especiais. Essas informações servirão de base para a elaboração do Plano de Ensino Individualizado (PEI), fortalecendo o processo de aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes.
Um ponto que considero essencial é garantir que pais e responsáveis tenham acesso direto a essas informações, acompanhando de perto a evolução dos filhos. Inclusão não pode ser apenas um conceito previsto em lei. Ela precisa ser uma prática permanente, acompanhada e aperfeiçoada continuamente.
Mas nenhuma política pública, por mais bem estruturada que seja, substitui o que considero a ferramenta mais poderosa diante do autismo: o acolhimento.
Acolher significa integrar a pessoa autista à família e à sociedade com amor, paciência e respeito às suas particularidades. Significa garantir acesso a terapias adequadas, sem pressa, sem cobranças excessivas e sem julgamentos, respeitando o tempo de cada indivíduo.
Também significa construir escolas, espaços públicos e ambientes de trabalho que se adaptem às diferenças, em vez de exigir que a pessoa autista enfrente sozinha um mundo planejado apenas para a neurotipicidade.
O acolhimento verdadeiro não nasce da pena nem da tolerância distante. Ele nasce do reconhecimento de que cada pessoa autista possui uma forma própria, legítima e valiosa de existir no mundo.
Famílias que acolhem com informação e apoio profissional, escolas que adaptam metodologias e empresas que abrem espaço para talentos neurodivergentes contribuem, juntas, para a construção de uma sociedade mais justa, humana e inclusiva.
Neste Dia do Orgulho Autista, reafirmo meu compromisso com políticas públicas que tratem a inclusão como prioridade permanente, e não como um discurso ocasional.
Que possamos seguir avançando, em Mato Grosso, rumo a um Estado mais sensível, mais informado e, sobretudo, mais acolhedor com todas as formas de ser, aprender, conviver e existir.
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