
O futuro de uma cidade não é fruto do acaso, mas de escolhas feitas no presente. Com essa premissa, o seminário “Cuiabá 2040: Planejando o Futuro da Capital”, promovido pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL) e pelo LIDE MT reuniu, nesta terça-feira (28.04), formadores de opinião, líderes empresariais e especialistas para discutir os desafios socioeconômicos da capital nos próximos dez anos. O evento consolidou a visão de que o setor produtivo deve ser protagonista na construção de uma cidade que equilibre modernidade, eficiência tecnológica e a preservação de sua identidade acolhedora.
Júnior Macagnam, presidente da CDL Cuiabá, abriu o encontro enfatizando que o objetivo é transformar a cidade no melhor lugar para empreender e morar. “Este encontro nasceu de uma convicção clara: o setor produtivo precisa participar ativamente da construção do futuro da capital. Essa é a nossa missão e ela exige união, diálogo e compromisso coletivo. Queremos que esse movimento continue além deste dia, sendo o começo de uma agenda permanente de reflexão, cooperação e ação em favor de Cuiabá”, afirmou o dirigente.
O presidente do LIDE em Mato Grosso, Igor Taques, frisou a parceria com a CDL Cuiabá no debate sobre o futuro da capital mato-grossense. “Este é o quinto encontro do LIDE Mato Grosso em 2026 e, desta vez, em parceria com a CDL Cuiabá, colocamos em pauta o futuro da nossa capital. Estamos falando de temas estruturantes como saneamento, mobilidade, urbanismo e a recuperação do Centro Histórico com debates qualificados com grandes nomes nacionais, mas também muitos convidados locais que são referência”, pontuou o comunicador.

O seminário contou com três painéis que reuniram diferentes profissionais para discutir soluções estruturantes para gargalos históricos sob uma ótica de futuro: a requalificação do Centro Histórico como polo de inovação, turismo e moradia; e a gestão do desenvolvimento urbano para cidades que funcionam.
Daniel de Matos, diretor administrativo da CDL Cuiabá, apresentou um diagnóstico sobre o comportamento do consumidor moderno. Segundo ele, o cidadão de 2040 será imediatista, consciente e orientado por dados. “O consumidor não se adapta mais à cidade; ele simplesmente abandona o local que não o atende”, alertou.

Para evitar esse esvaziamento, Daniel destacou o conceito de “cidade de proximidade”, onde moradia, trabalho e consumo estejam a, no máximo, 15 minutos de distância. “O fortalecimento do comércio de bairro e o planejamento de corredores comerciais integrados à mobilidade urbana surgem como soluções para reduzir a dependência de veículos e fomentar a economia local”, pontuou o líder empresarial, citando regiões que já desenvolvem essa estratégia em Cuiabá, como o Pedra 90, o CPA e o Jardim Imperial.
A degradação do Centro Histórico foi o tema central do painel que debateu a requalificação da região. Luciana Mascaro, doutora e professora de Arquitetura e Urbanismo da UFMT, apresentou dados de um estudo coordenado por ela, com apoio da ONU e do Iphan, voltado à gestão da área central.
O levantamento mapeou mais de 300 imóveis abandonados na região e descreveu o fenômeno como uma "rosquinha": o desenvolvimento acontece nas bordas (periferia e novos bairros), enquanto o centro fica vazio, restando apenas "migalhas".

A solução proposta passa pelo adensamento populacional. "A segurança virá com a ocupação pelas pessoas", pontuou a professora, enfatizando que o foco é atrair moradores de média e baixa renda para áreas como a região da Avenida Mato Grosso e o bairro Araés. Isso aproveitaria a infraestrutura de serviços já existente e geraria um impacto positivo direto para os comerciantes locais.
O arquiteto e urbanista Johnny Rother reforçou a necessidade de parcerias público-privadas e incentivos fiscais para o retrofit (reforma e modernização de prédios antigos). Para Rother, o centro não deve ser visto como um problema, mas como um "ativo subutilizado".
"Trazer jovens, estudantes e investir em economia criativa não é apenas uma questão de nostalgia; é inteligência econômica. A proposta é ativar os pavimentos térreos dos edifícios para uso comercial e valorizar o patrimônio histórico como um diferencial competitivo para o turismo e o lazer”, explicou o urbanista.
O seminário foi concluído com o compromisso de que as discussões não fiquem restritas ao evento. A meta é criar uma agenda permanente de cooperação entre o setor público e a iniciativa privada. A Carta Compromisso com a Cuiabá de 2040 apresenta sugestões fundamentais para a capital, abrangendo governança, mobilidade, urbanismo, sustentabilidade, resiliência urbana, educação e transparência.

"A Cuiabá de 2040 será o reflexo da capacidade das lideranças de hoje em transformar diagnósticos em ação urbana concreta”, concluiu o presidente da CDL Cuiabá.
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