
O início de 2026 trouxe um sinal de alerta para o orçamento das famílias mato-grossenses. De acordo com os dados do SPC Brasil, em fevereiro a inadimplência foi de 2,5%, mantendo trajetória de crescimento na variação mensal em relação a janeiro deste ano. Sinal de que o primeiro bimestre de 2026 foi desafiador para o controle financeiro dos mato-grossenses.
O número reflete um cenário de pressão sobre a renda no estado, que tem quase 1,5 milhão de consumidores adultos com restrições de crédito, ou 48% da população.
Na comparação anual, o número de inadimplentes em Mato Grosso cresceu 7,23% em relação a fevereiro do ano passado. O percentual é um pouco menor que a média da região Centro-Oeste, que apresentou um crescimento de 7,67%. Já o índice nacional registrou alta de 10,22%.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá), Júnior Macagnam, chama atenção para a necessidade da educação financeira para o equilíbrio nas contas pessoais, que tem reflexos no nível de inadimplência no País.
“O dado que chama a atenção é o caráter crônico do endividamento: o tempo médio de atraso é de 28 meses. Cerca de 36% das dívidas estão em atraso em um período de um a três anos. Ou seja, grande parte do passivo das famílias é composta por débitos de longa data, o que dificulta a renegociação e o retorno do consumidor ao mercado de crédito”, pontua o dirigente.
Na capital, com uma população estimada em 650 mil habitantes, dos quais 80% compõem o público adulto, o impacto é direto: estima-se que quase 248 mil consumidores estão com o nome negativado.
Perfil - O perfil médio do consumidor inadimplente em Mato Grosso é de uma pessoa com 43,9 anos. A distribuição por gênero mostra predominância masculina, enquanto a análise por faixa etária revela que a maior concentração de dívidas ocorre entre consumidores de 30 a 39 anos (26,91%), seguida por consumidores entre 40 a 49 anos (22,59%).
Cada consumidor inadimplente no estado de Mato Grosso soma, em média, 2,3 dívidas em aberto, que totalizam o valor também médio de R$ 5.727,96 per capita.
O setor bancário segue como o principal credor, concentrando mais da metade das pendências registradas, com 53,51%, seguido pelo comércio, com 22,30%. Água, energia e comunicação somam 13,69% das dívidas.
O número total de dívidas em atraso cresceu 12,39% na comparação anual, um ritmo superior ao crescimento do número de pessoas inadimplentes, o que indica que o consumidor também está acumulando um volume maior de contas não pagas individualmente. Na variação mensal, entre janeiro e fevereiro deste ano, as dívidas em atraso aumentaram 3,18%.
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